Taaaania @ 23:08

Seg, 21/01/08

Eu sou perita a fazer fitas... Se há coisa em que eu sou boa é a inventar. Eu 'tou a olhar para uma pessoa e sempre com a imaginação a 3000 à hora. Depois também sou boa noutras fitas. Gaja que se preze é mestre a fazer carinha de Bambi e a enternecer tudo à sua volta; faço de desgraçadinha, de vítima, de incompreendida ou de inocente e é assim que vou levando a minha vidinha avante...

 

 

 

 

Eu podia fazer um post inteirinho só com as  fitas que faço diariamente. Mas vai ficar para outro dia. Talvez amanhã. Ou depois. Hoje vamos mesmo às fitas cinematográficas, uma das minhas grandes paixões. E como ontem foi domingo, fui ao cinema. Porque o domingo costuma ser um dia chato, cheio de gente por todo o lado. E que bom escolher um filmezinho que ninguém vai ver e estar descansadinha com mais meia dúzia de pseudo-intelectuais (sim, porque eu também tenho a mania que sei e tal... mea culpa, mea culpa...) a engolir em seco e a pensar em quão pequeninos somos e quão mesquinha é a nossa vida!

 

 

Há já duas semanas que é esta a sensação que tenho. Primeiro, por causa deste:

 

 

 

 

 

Claro que é já um grande passo dizer que o filme é do senhor Brian de Palma, que ganhou o prémio em Cannes para melhor realizador. O filme é avassalador a todos os níveis. A primeira frase dita por um soldado americano no Iraque é apenas, "e no fim, apenas se saberá a verdade". E isso dói. Saber que é verdade. Que não passa de mera imaginação de um realizador louco! Saber que se matam pessoas por matar, que nada pesa na consciência de ninguém, que se viola, espanca e aterroriza apenas porque sim.

E depois é tudo muito bem contado. A mesma história. Várias visões e prismas. Desde um soldado americano, a uma jornalista de uma TV local ou de uma francesa aparentemente neutra. E nós sofremos muito. Às tantas estava com uma pipoca na mão que já não consegui meter à boca. Porque ia à espera de crueza mas nem tanto. E a imagem final continua bem forte no meu id profundo. Deve querer dizer alguma coisa.

Se aconselho? Sim. Mas apenas àqueles que estão dispostos a serem incomodados nas suas vidinhas simplificadamente complexas. Àqueles que não se importam de sair de quase duas horas a levar muitos murros no estômago e a lutar contra os seus próprios conflitos interiores.

 

 

Ontem, deu-me para este:

 

 

 

Logo o título é engraçado. Para quem tenciona ir ver o filme, talvez seja melhor não continuar a ler. Digo isto porque, como já tinha lido muito a respeito, já nada me surpreendeu. Ia à espera das coisas e confesso que já com ideias pré-concebidas. Mas não consigo evitar, que querem?

Então, o título refere-se ao período de vida de um feto, já com quase cinco meses, cuja mãe vai fazer um aborto com a ajuda de uma amiga na Roménia de 1987 onde tudo era proibido e a miséria imperava. O filme é maravilhoso. Todo ele. Pelos diálogos. Mas sobretudo pelos silêncios. Pelos olhares cúmplices, pelos aterrorizadores e pelos vazios. E a língua romena ajuda muito a dar ritmo e musicalidade a cada cena.

Se este filme tivesse surgido por alturas da discussão do referendo do aborto, tinha sido uma boa arma de arremesso para ambos os lados.

Os defensores dos direitos da mulher iriam esgrimir a favor da angústia, desespero e dor da jovem mãe. E os defensores da vida agarrar-se-iam à imagem do feto na toalha, já perfeitamente desenvolvido, imagem esta que está bem à vontade uns quinze segundos em cena. E depois o final. As duas vão ao restaurante, comer, horas depois do aborto, como se nada se passasse. A ver sem falta. Não tivesse sido o justíssimo vencedor do prémio de melhor filme no Festival de Cannes.

 

 

 



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